Desvelando os Mistérios
VER PARA CRER - Historinhas da Sabedoria de Buda.
[Ache o Buda (Tela de Odilon Redon).1904]
'Os rótulos não devem condicionar a mente'.
"Que importância tem um nome? O que chamamos uma rosa, se tivesse outro nome, continuaria com o mesmo perfume". (Shakespeare).
Certa vez, monges brâmanes perguntaram à Soma, discípula de Buda: - "Se a condição de sábio é dificilmente alcançada por um homem, como pode a mulher atingir tal estado com sua mente limitada?"
- "Quando o coração está completamente tranqüilo, quando a consciência se alarga [se amplia], vê-se então a realidade; mas logo que pensam: 'sou mulher', ou 'sou homem', ou 'sou isso ou aquilo' - então a ilusão (Maya) se apodera dos seres". Sangitta-Nikaya c.1. ('Budismo - Psicologia do Autoconhecimento', p. 29).
Estamos condicionados de tal modo a rótulos discriminativos que, ao depararmos com outro ser humano, logo o rotulamos de inglês, alemão, japonês, judeu, branco ou preto, católico, protestante, budista, etc. E o julgamos segundo os preconceitos e atributos condicionados em nossa mente; mas não raro acontece que o indivíduo está isento dos atributos que lhe conferimos...
Assim como aconteceu com Jesus, nem sempre a vida do Buda correu em meio ao reconhecimento e a tranqüilidade... Existem dados que mostram obstáculos e calúnias que, como verdadeiro guerreiro [da Luz], ele enfrentava no meio de ascetas e brâmanes.
E para os brâmanes: "Pelo que faz um homem ele é um sudra (casta inferior), ou da mesma forma é um brahmana (casta superior, sacerdotal). O fogo aceso pelo brâmane, ou pelo sudra, tem a mesma chama, calor e luz".
"Vigoroso e alerta, tal é o discípulo, ó irmão. Seguindo o Caminho do Meio, suas energias são equilibradas; nem é ardente sem medida, nem dado à intolerância"... Para quem busca a Verdade, é menos importante saber "se o ensinamento provém deste ou daquele mestre; o essencial é vê-la e compreendê-la"...
No Budismo não há dogmas... Para libertarmo-nos da dúvida é necessário ver claramente, "o que só é possível quando a Verdade vem através da visão interior, adquirida pelo autoconhecimento". ('Budismo: Psicologia do Autoconhecimento', p. 21/22. Pensamento. 1999].
Nota: 'Buda' [Do sânscrito, Budh), significa literalmente: 'Desperto', 'Supremo Iluminado': "Aquele que está liberto do sono da ignorância e inundado de Suprema Sabedoria". O termo Buda, portanto, pode designar qualquer pessoa que alcançou o estado de ser búdico. [®]
HISTORINHAS DE BUDA
- Venerável Gautama, as antigas e santas escrituras dos brâmanes foram transmitidas de geração em geração, mediante uma ininterrupta tradição verbal, através da qual os brâmanes chegaram à conclusão absoluta de que a única verdade seria a deles e qualquer outra seria falsa.
Ouvindo isto, Buda perguntou: - 'Entre os brâmanes haverá um só indivíduo que pretenda pessoalmente saber e ter visto, por própria experiência, que esta é a única verdade e qualquer outra é falsa?'
- “Não, Senhor” - respondeu o jovem monge com toda a franqueza.
- 'Então, haverá um só instrutor, ou instrutor dos instrutores dos brâmanes, anterior à sétima geração,. ou ao menos um dos autores destas escrituras, que pretenda saber e ter visto, pela própria experiência, que é a única verdade e qualquer outra é falsa?'
- Não, Senhor! - disse o monge.
- "Então, é como uma fila de homens cegos; cada um se apoiando no precedente: o primeiro não vê, o do meio não vê e o último não vê tampouco. Por conseguinte, parece-me que a condição dos brâmanes é semelhante a esta fila de homens cegos".
Nesta ocasião, ele deu a esse grupo de brâmanes um ensinamento de extrema importância:
- "Então, é como uma fila de homens cegos; cada um se apoiando no precedente: o primeiro não vê, o do meio não vê e o último não vê tampouco. Por conseguinte, parece-me que a condição dos brâmanes é semelhante a esta fila de homens cegos".
Nesta ocasião, ele deu a esse grupo de brâmanes um ensinamento de extrema importância:
- “Um homem que sustenta a verdade deve dizer: 'esta é a minha crença', mas nem por causa disto ele deve tirar a conclusão absoluta e dizer: "Só há esta verdade, qualquer outra é falsa”. – Canki Sutta 95, Majjhima-Nikaya. (‘Budismo: Psicologia do Autoconhecimento’, p. 25).
2. 'Da Auto-responsabilidade em Aceitar as Coisas'
Certa vez, Gautama Buda visitou uma pequena vila chamada Kesaputra, no reino de Kosala, cujos habitantes se chamavam Kalamas. E eles lhe fizeram a seguinte pergunta:
- “Senhor, alguns anacoretas [ascetas peregrinos] e brâmanes que passaram por nossa vila divulgaram e exaltaram as suas doutrinas e condenaram e desprezaram as doutrinas dos outros... Passaram outros que, por sua vez, divulgaram e exaltaram as suas doutrinas e também condenaram e desprezaram as doutrinas dos outros. Mas nós, Senhor, estamos sempre em dúvida e perplexos, sem saber qual desses veneráveis expôs a verdade e qual deles mentiu”.
Então o Buda respondeu: - Sim, é justa a dúvida que sentis, pois ela se originou de um assunto duvidoso. Agora prestem atenção:
Mas, Kalamas, desde que souberdes e sentirdes, por vós mesmos, que certas coisas são desfavoráveis, falsas e ruins, então renunciai a elas… e quando souberdes e sentirdes, por vós mesmos, que certas coisas são favoráveis e boas, então deveis aceitá-las e segui-las”... [Gautama, significa: "o mais vitorioso na terra"; Siddhartha (sânscrito), ou Sidarta, significa: "realização de todos os deuses"].
E, dirigindo-se aos bhikkhus [monges discípulos], disse:
- “Um discípulo deve examinar a questão mesmo quando o Tathagata ("Aquele que alcançou a verdade": Tatha, verdade; agata: alcançar) a propõe, pois o discípulo deve estar inteiramente convencido do valor real do seu ensinamento. Não acreditem no que o mestre diz simplesmente por respeito à personalidade dele”. (Kalama Sutra, Anguttara-Nikaya III, 65). - [Cf. ‘Budismo: Psicologia do Autoconhecimento’, p.23. Ed. Pensamento. 1999]
3. ‘Compaixão Para Com Todos os Seres Vivos’
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“E aquilo que fizerdes ao menor destes meus filhos, a mim o fazeis. Pois eu estou neles, e eles em mim. Sim, estou em todas as criaturas, e todas as criaturas estão em mim. Alegro-me em todas as suas alegrias, e aflijo-me em todas as suas tribulações”. (Jesus). [Ver: ‘Jesus Condenava Maltratar os Animais' - 'O Evangelho dos Doze Santos’].
- “Pobre mãe, tranqüiliza-te. Para onde fores, levarei teu querido filhote”. - E pensou: “É preferível impedir que sofra um animal, a permanecer sentado nas cavernas contemplando os males do universo”.
Sabendo pelos pastores que, por ordem do rei, o rebanho seria levado, à noite, para o sacrifício e imolado em honra aos deuses, Buda falou:
- “Quero ir convosco”. - E os seguiu pacientemente, carregando o cordeirinho nos braços.
Chegando à sala dos holocaustos, observou os brâmanes recitando mantras [palavras e frases de poder sagrado no Hinduísmo], e avivando o fogo que crepitava no altar. Um dos sacerdotes, apoiando a faca no pescoço estirado de uma cabra de grandes chifres, exclamou:
- Eis aí, ó deuses, o princípio dos holocaustos oferecidos pelo rei Bimbisara. Regozijai-vos vendo correr o sangue e gozai com a fumaça da carne tostada nas chamas ardentes; fazei com que os pecados do rei sejam transferidos a esta cabra e o fogo os consuma ao queimá-la; vou dar o golpe fatal.
Aproximando-se, Buda disse docemente: - "Não a deixeis ferir, ó grande rei!" - E ao mesmo tempo desatou os laços da vítima, sem que ninguém o detivesse, tão imponente era seu aspecto.
Então, depois de haver pedido permissão, Buda falou da vida que todos podem tirar, mas ninguém pode dar; da vida que todas as criaturas amam e pela qual lutam; a vida esse dom maravilhoso e caro a todos, mesmo aos mais humildes; um dom precioso para todas as criaturas que sentem compaixão, porque a compaixão faz o homem doce para com os débeis e nobre para com os fortes.
Emprestou às bocas do seu rebanho palavras enternecedoras para defender sua causa; demonstrou que o homem que implora a clemência dos deuses não tem misericórdia, ele que é como um deus para os animais; fez ver que tudo o que tem vida está unido por um laço de parentesco; que os animais que matamos nos deram o doce tributo do seu leite e de sua lã e colocaram sua confiança nas mãos dos que os degolam. E acrescentou:
Falou assim, com palavras tão compassivas e tal dignidade, inspirado pela compaixão e justiça, que os sacerdotes se despojaram dos seus ornamentos e lavaram as mãos vermelhas de sangue. E o rei, aproximando-se de Buda, o saudou com as mãos juntas”. (‘Luz da Ásia’, tradução de Edwin Arnold. Pensamento). [®]
"Como o eco pertence ao som e a sombra à substância, assim o mal recairá sobre quem o causou; abstém-te, pois de atos maus!". (Buda).
[Cf.‘Budismo: Psicologia do Autoconhecimento’, p.25/28. Dr. Georges da Silva & Rita Homenko – Editora Pensamento. 1999].
[Cf.‘Budismo: Psicologia do Autoconhecimento’, p.25/28. Dr. Georges da Silva & Rita Homenko – Editora Pensamento. 1999].
Luz, Amor e Paz! (Campos de Raphael)
